Marcas centenárias que inovam: o que as novas ações da Coca-Cola e Stanley ensinam sobre marketing, nichos e criação de produtos?
- Leiliane Germano

- 20 de mar.
- 3 min de leitura

Criar um produto promocional não é apenas uma questão criativa. Exige estratégia, dados e um olhar real de marketing 360°. Quando uma marca compreende profundamente seu público e conecta experiência, emoção e campanha com propósito, o resultado deixa de ser apenas uma ação promocional e passa a se tornar um verdadeiro movimento de marca.
Nas últimas semanas, duas empresas centenárias demonstraram com clareza como inovação, experiência de marca e leitura de comportamento do consumidor podem caminhar juntas. De um lado, a Coca-Cola, com uma lata que celebra o futebol. De outro, a Stanley, que expandiu sua presença criando produtos para um novo nicho: o mercado pet. Mais do que campanhas criativas, esses dois casos mostram como grandes marcas utilizam dados, cultura e marketing estratégico para transformar simples produtos em experiências memoráveis.
Quando abrir uma lata vira experiência: o case da Coca-Cola e a emoção ativada no produto

Um exemplo recente vem da Coca-Cola. A empresa lançou uma edição especial de latinhas que reproduzem o som de uma torcida comemorando um gol quando são abertas. A ação celebra a aproximação da Copa do Mundo FIFA 2026 e transforma um gesto simples, como abrir uma lata, em uma pequena experiência de estádio.
Algumas unidades da edição limitada emitem o áudio surpresa no momento da abertura. E a estratégia não para na experiência sensorial. Certas latas também fazem parte de uma promoção com prêmios instantâneos que podem chegar a cerca de R$ 5 mil, além de eletrônicos e viagens para assistir aos jogos do Mundial.
Essa integração entre produto físico, experiência sensorial e ambiente digital mostra um entendimento fundamental sobre o comportamento de consumo: momentos simples podem se tornar experiências memoráveis quando carregam emoção e contexto cultural. O futebol, especialmente em um período próximo à Copa do Mundo, é um dos maiores gatilhos emocionais do público brasileiro e global. Ao inserir esse elemento dentro do produto, a marca transforma a embalagem em um ponto de contato ativo. Isso gera três efeitos estratégicos importantes: engajamento espontâneo e aumento da lembrança de marca.
Stanley e o marketing de nicho
Outro exemplo interessante de inovação estratégica vem da Stanley, marca fundada em 1913 e conhecida mundialmente por seus produtos térmicos. Recentemente, a empresa lançou um produto que revela uma leitura precisa de comportamento de mercado: a Stanley Pet Bowl, uma tigela térmica desenvolvida para pets.
A ideia pode parecer simples à primeira vista, mas carrega uma lógica estratégica clara. A marca percebeu um crescimento consistente no mercado pet e identificou uma oportunidade de expandir seu posicionamento para um novo nicho sem abandonar sua essência de produto. A Stanley Pet Bowl mantém o principal atributo da marca: isolamento térmico e durabilidade. Mas aplica esse conceito a um novo contexto de uso.
Marketing 360° conecta produto, experiência e mídia
Apesar de atuarem em segmentos diferentes, Coca-Cola e Stanley mostram alguns movimentos claros do marketing atual. Primeiro, o produto deixou de ser apenas o objeto da campanha. Ele passou a ser parte da comunicação da marca. A lata que “grita gol” e a tigela térmica para pets são exemplos de como o produto pode carregar narrativa, experiência e posicionamento. Segundo, as duas marcas não criaram produtos isolados. Elas observaram comportamentos reais, como a paixão pelo futebol e o crescimento do mercado pet.
Esses cases mostram que a inovação de marca acontece quando diferentes frentes trabalham juntas, como produto, branding, experiência e relacionamento com o consumidor. Marcas centenárias continuam inovando porque entendem que tradição não significa imobilidade. Elas observam comportamentos, testam ideias e criam experiências que fazem sentido dentro do contexto cultural do consumidor.




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